Redução do plástico: empresas têm de investir já

Redução do plástico: empresas têm de investir já

A Schroders analisou o aumento dos plásticos descartáveis e o seu impacto nos investimentos. A gestora de ativos a nível mundial considera que, "no geral, um promissor impulso foi dado nos três pilares necessários [Eliminar, Inovar e Circular], mas é fundamental uma contínua divulgação, ambição e ação em toda a cadeia de valor". Assim, defende que "os principais investimentos, inovações e programas de transformação devem começar agora, para tratarem na fonte os resíduos plásticos e a poluição - e, no mínimo, ter um impacto até 2025 e cumprir as metas oficiais".

O estudo “Elaborando um novo futuro para o plástico problemático: as empresas estão preparadas?”, desenvolvido por Holly Turner e Louise Wihlborn, analistas de Investimento Sustentável da empresa sediada em Londres, adianta que uma ação imediata por parte das empresas “é particularmente importante, pois acreditamos que os regulamentos [da União Europeia] refletem um foco crescente na responsabilidade do produtor e que isso se estende ao longo do ciclo de vida de um produto”.

Solução está na economia circular

Logo na introdução, as analistas salientam que “as empresas ao longo da cadeia de valor do plástico precisam de responder ao aumento da pressão dos reguladores e dos consumidores para se afastarem dos plásticos descartáveis”, acrescentando: “A nossa análise e envolvimento com mais de 100 empresas desta área leva-nos a acreditar que um futuro sem plástico é improvável. A solução mais viável para resolver o problema da poluição dos plásticos não está em abandonar completamente o uso de plásticos – mas em corrigir os problemas existentes na economia dos plásticos e avançar para uma economia circular, onde os recursos sejam continuamente reciclados e reutilizados. Esta é a solução ideal a longo prazo”.

A nossa análise e envolvimento com mais de 100 empresas desta área leva-nos a acreditar que um futuro sem plástico é improvável.

A solução mais viável para resolver o problema da poluição dos plásticos não está em abandonar completamente o uso de plásticos – mas em (…) avançar para uma economia circular, onde os recursos sejam continuamente reciclados e reutilizados. Esta é a solução ideal a longo prazo.  Holly Turner e Louise Wihlborn
Analistas de Investimento Sustentável da Schroders

A análise da Schroders considera que, “conforme sugerido pelo ‘Novo Compromisso do Plástico’ da Ellen MacArthur Foundation, as empresas precisam de três coisas para fazerem a transição para um novo mundo onde o plástico não se torna lixo nem poluição: concentrar-se em eliminar embalagens plásticas problemáticas ou desnecessárias; inovar para encontrar produtos e soluções alternativas; e, finalmente, circular o plástico para criar um ciclo fechado através do desenvolvimento de melhores tecnologias de recolha, classificação e reciclagem de resíduos”.

UE: plásticos de uso único proibidos a partir de 2021

Esta análise da Schroders vai ao encontro das metas da União Europeia (UE), que no ano passado aprovou uma diretiva que proíbe a venda de produtos de plástico de utilização única em toda a UE, já a partir do próximo ano.

As regras aprovadas em março de 2019 pelo Parlamento Europeu (PE) e já anteriormente acordadas com os Estados-Membros, proíbem certos produtos de plástico de utilização única para os quais existem alternativas, como pratos, talheres, cotonetes, palhinhas, agitadores de bebidas, varas para balões, recipientes para alimentos e bebidas, feitos de poliestireno expandido e produtos de plástico oxodegradável.

A norma estabelece ainda que os Estados-Membros terão também de tomar medidas para alcançar uma “redução quantitativa mensurável” do consumo de outros produtos de plástico de utilização única, como recipientes para alimentos e copos para bebidas, incluindo as respetivas coberturas e tampas.

A somar a estes objetivos os países da UE terão de assegurar, entre outras medidas, a recolha seletiva de pelo menos 90% das garrafas de plástico até 2029. Haverá também uma meta vinculativa de, pelo menos, 25% de plástico reciclado para as garrafas a partir de 2025. Em 2030, todas as garrafas de plástico terão de respeitar um objetivo de, pelo menos, 30% de material reciclado.

Convém lembrar que mais de 80% do lixo marinho na UE é constituído por plástico e os produtos de plástico descartáveis e as artes de pesca abrangidos pela diretiva representam cerca de 70% do lixo marinho.

A diretiva de março de 2019 complementa as medidas previstas no âmbito da Estratégia Europeia para os Plásticos, lançada em janeiro de 2018. De acordo com a Estratégia, até 2030, todas as embalagens de plástico na UE serão recicláveis, o consumo de objetos de plástico descartável será reduzido e a utilização intencional de microplásticos será restringida.

Consórcio BioICEP estimula economia circular do plástico

Há muitos projetos de investigação focados no plástico e na forma de o fazer ‘desaparecer’ mais depressa – o BioICEP quer transformá-lo. É um projeto financiado pela União Europeia (UE) no âmbito do Horizonte 2020, de um consórcio Europa-China, com participação portuguesa.

O conjunto de investigadores vai desenvolver uma solução para ambientes mistos de poluição plástica. Especificamente, os investigadores vão trabalhar em três tecnologias inovadoras de impulso destinadas a aumentar a degradação do plástico a níveis recordes. O BioICEP adotará uma abordagem de sistemas de despolimerização de ação tripla para decompor o lixo plástico: processos de desintegração mecanoquímico, digestão biocatalítica e consórcios microbianos. Os resultados serão usados como blocos de construção para novos polímeros ou outros bioprodutos.

O plástico convencional, derivado do petróleo, será assim transformado em biomateriais que poderão servir de base à criação de alternativas mais ecológicas aos plásticos usados atualmente. Por isso, o BioICEP visa estimular a economia circular.

O consórcio, que vigora de janeiro de 2020 a dezembro de 2023, é coordenado pelo Athlone Institute of Technology, da Irlanda e tem a participação do Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET), pioneiro da investigação nacional em biotecnologia, área em que é hoje a maior instituição privada portuguesa sem fins lucrativos, e do Logoplaste Innovation Lab, uma unidade de negócios independente da casa-mãe, para a área da investigação e desenvolvimento de soluções de embalagens plásticas de alto desempenho

O BioICEP envolve também institutos e empresas da China, Irlanda, Espanha, Alemanha, Bélgica, Holanda, Grécia e Sérvia.

As entidades vão entrando no projeto por fases e, devido à covid-19, houve algum atraso no ‘tiro de partida’ tendo sido dado apenas em março. Em Portugal, a fase operacional ainda não se iniciou.