Aprender a sustentabilidade

Aprender a sustentabilidade

A oferta formativa em sustentabilidade das universidades e institutos nacionais já é diversa, abrangendo doutoramentos, pós-graduações, mestrados, licenciaturas e formações específicas para executivos. E em áreas distintas como as alterações climáticas, a inovação social, a economia circular, a agricultura e a construção, embora quase sempre com enfoque na parte ambiental.

“A sustentabilidade tem de ser, cada vez mais, um conceito integrante da estratégia das organizações. As orientações, ou mesmo exigências, em que a sustentabilidade assenta devem traduzir-se em projetos, critérios e resultados claros, que os stakeholders das organizações entendam e partilhem. Como tal, deve ser alvo de uma comunicação cuidada, para que todos os interessados se envolvam num esforço comum e concretizem os seus objetivos”, defende o coordenador da pós-graduação em Sustentabilidade e Comunicação do ISAG – European Business School. Por isso, acrescenta Alfredo Castanheira, “as instituições de ensino têm um papel fulcral na discussão da temática e, sobretudo, na sensibilização e formação de recursos humanos”.

No caso do Executive Master in Sustainable Business & Social Innovation, da Católica-Lisbon, Filipe Santos, dean da Católica-Lisbon e diretor da pós-graduação, diz ao Jornal de Negócios que os objetivos “são aprofundar a forma como as organizações devem alinhar a sua estratégia e práticas com os objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, desenvolvendo assim uma verdadeira política e estratégia de sustentabilidade. E uma estratégia de sustentabilidade empresarial não pode ser desenhada sem uma forte componente de inovação social”, sublinhando: “Hoje em dia há poucas empresas que estejam na estaca zero da sustentabilidade dada a crucial importância deste tema para o futuro do planeta e para o sucesso empresarial. No entanto, não há muitas empresas que ponham a sustentabilidade no coração da sua estratégia, e isto é algo que o programa irá aprofundar.”

O dean da UCP refere ainda que esta pós-graduação tem também “a vantagem de poder conceder o grau de mestre em Gestão Aplicada pela Católica-Lisbon”.

Parcerias internacionais

A pós-graduação em Economia Circular – Ambiente como Fator de Sustentabilidade, da Universidade Lusófona, é multidisciplinar, incluindo seminários em diversas áreas e visitas técnicas interativas “que preparam os alunos para uma vida empresarial ativa na gestão de fluxos de materiais no desenvolvimento sustentável e na economia verde”, explica Cândida Rocha, codiretora da pós-graduação. “A grande vantagem é a parceria com a Universidade de Trier, na Alemanha.

A Lusófona propõe duas pós-graduações em Economia Circular independentes. O aluno que realiza as duas pós-graduações, equivalentes ao ano curricular do mestrado alemão IMAT – Master in International Flow Management no Institute for Applied Material Flow Management da Universidade de Trier of Applied Sciences no Environmental Campus Birkenfeld e que desenvolva uma tese, pode integrar o IMAT-Master na Alemanha realizando presencialmente um semestre (outubro a fevereiro), podendo obter o grau de mestre da Universidade de Trier of Applied Sciences”, frisa a professora.

Fator de sucesso

Já Carlos Oliveira Augusto, CEO da Factor4Sustainability e codiretor da pós-graduação em Inovação e Sustentabilidade Empresarial, também da Universidade Lusófona, considera que o principal objetivo desta pós-graduação “é o de realçar a importância do fator sustentabilidade para o sucesso das empresas, a par de outros. A partir daí, [os formandos] estarão capazes de executar novas abordagens e de detetarem novas oportunidades num mercado em constante mutação e que demanda produtos e serviços cada vez mais sustentáveis.”

Alfredo Castanheira salienta que “o objetivo desta pós-graduação é, precisamente, partir de uma ‘abordagem macro’, conceptual e transversal do universo da sustentabilidade e caminhar no sentido da construção de ‘estratégicas micro’, aplicáveis ao dia a dia de cada organização ou departamento, mas sempre de uma forma coordenada e estratégica. A sustentabilidade não é feudo de um departamento só, mas sim propósito da organização como um todo”.

Por seu lado, a codiretora da pós-graduação em Economia Circular – Ambiente como Fator de Sustentabilidade, da Lusófona, refere que “no mercado de trabalho, as empresas procuram agentes altamente qualificados e com visão estratégica no futuro. Os profissionais qualificados como consultores, gestores de projeto ou gestores de empresas têm excelentes oportunidades nesta área ao nível local, nacional e internacional”.

Covid como oportunidade

Sobre o impacto da covid-19 nos investimentos das empresas em sustentabilidade, Cândida Rocha espera que “esta seja uma oportunidade para a mudança de comportamentos e de mentalidades”.

Mas Filipe Santos alerta que “há de facto o risco de que, para algumas empresas em luta pela sobrevivência, a sustentabilidade passe a ser uma preocupação de segunda ordem. Os próximos 6-12 meses vão ser muito desafiantes para as empresas”. No entanto, lembra o diretor do Executive Master in Sustainable Business & Social Innovation, da Católica-Lisbon, “a sustentabilidade traz grandes oportunidades, desde logo acesso a financiamento em condições mais atrativas, melhor relação com clientes e colaboradores, e oportunidade de lançar produtos e serviços mais sustentáveis e valorizados. Ao pôr a sustentabilidade no centro, os líderes empresariais irão mudar a sua perspetiva e posicionar a empresa para ser mais viável no médio-longo prazo.”

Além disso, sublinha o dean da Católica-Lisbon, “a pandemia provocou alguns efeitos positivos nas práticas empresariais. Aquilo que parecia impossível implementar há pouco tempo (por exemplo, reduzir as viagens de negócios ou adotar o teletrabalho) aconteceu de forma repentina e será em certa medida irreversível, criando um ambiente de trabalho mais digital, mais sustentável ambientalmente e até mais produtivo”.

Alfredo Castanheira refere que “no Global Risk Report de 2020, o World Economic Forum identifica os dez maiores riscos de longo prazo, a saber: o clima extremo, a falha na ação climática, desastres naturais, perda da biodiversidade, desastres ambientais de responsabilidade humana, roubo de dados ou fraude, ciberataques, crises relacionadas com água, falhanço na global governance, bolha imobiliária”, e adianta: “Todos eles, num mundo pós-covid, são expectáveis; todos eles, de um modo ou outro, relacionados com a temática da sustentabilidade.

Com a crise da covid-19 alargou-se este espetro de preocupações e alertas. E houve, sim, um despertar para muitas fragilidades à escala mundial. São, hoje, muito mais aparentes as dependências e as deficiências que a produção e a distribuição apresentam. Ficou mais claro que muitos padrões de consumo são contraproducentes e terão de mudar.”

Os cursos “sustentáveis”

Doutoramentos
Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável (associação UL e UNL)
Ambiente e Sustentabilidade (UNL)
Agronegócios e Sustentabilidade (associação UTAD e UÉ)
Ciências Agrárias e Ambientais (associação UÉ e UAlgarve)
Química Sustentável (associação UP, UAveiro e UNL)

Pós-Graduações
Sustainable Business & Social Innovation (Católica-Lisbon – Executive Master)
Inovação e Sustentabilidade Empresarial (ULusófona)
Comunicação e Sustentabilidade (ISAG)
Economia Circular – Ambiente como Fator de Sustentabilidade (ULusófona)
Construção e Reabilitação Sustentável (UNL)
Ambiente, Sustentabilidade e Educação (UÉ – e-learning)

Mestrados
Estudos do Ambiente e da Sustentabilidade (ISCTE)
Mestrado em Sustentabilidade do Ambiente Construído (UMinho)
Agricultura Sustentável (ESAE, IPP)
Mestrado em Gestão Sustentável do Ciclo Urbano da Água (UMinho)
Urbanismo Sustentável e Ordenamento do Território (UNL)
Mestrado em Construção e Reabilitação Sustentáveis (UMinho)

Licenciaturas (pós-Bolonha)
Engenharia da Sustentabilidade (UTAD)

Formação de Executivos
ABC dos Negócios Sustentáveis (Nova SBE)
Deep Dive em Negócios Sustentáveis (Nova SBE)
Consultoria para Negócios Sustentáveis (Nova SBE)