BCG: Retalho pode reduzir um terço do desperdício alimentar com uma mão cheia de soluções

BCG: Retalho pode reduzir um terço do desperdício alimentar com uma mão cheia de soluções

O desperdício alimentar no setor do retalho pode ser reduzido em um terço, aponta a consultora Boston Consulting Group (BCG), ao mesmo tempo que sugere cinco medidas nesse sentido.

“Estima-se que todos os anos sejam desperdiçados cerca de um terço de todos os alimentos produzidos. Isto representa 1,6 mil milhões de toneladas de alimentos a nível global e mais de 1 milhão em Portugal, com elevados custos a nível ambiental e social”, enquadra a BCG.

Reconhecida esta realidade, a consultora avançou para a implementação de cinco projetos piloto com o objetivo de responder a este problema. Tendo em conta os resultados obtidos estima-se que, alargando a escala, “as medidas aplicadas permitiriam diminuir em um terço o desperdício ao longo da cadeia de abastecimento da Sonae”, o que se traduz em 12 mil toneladas de alimentos por ano. Abarcando todo o setor, podiam ser evitadas mais de 50 mil toneladas de desperdício alimentar anualmente.

Do outro lado da moeda, mais benefícios: “Isto representaria também a geração de um valor de 10 milhões de euros por ano, entre poupanças e novas oportunidades de negócio, para os vários participantes na cadeia de abastecimento”, continua a consultora, na nota enviada às redações.

No que toca à população, o “prémio” seria um acesso gratuito ou a preços reduzidos a alimentos em condições de segurança e qualidade.

Estas conclusões constam do relatório “Uma receita para reduzir a perda e desperdícios alimentares”, elaborado pela BCG em parceria com a Sonae e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD).

As soluções

Uma vez concluído que cerca de 40% do desperdício deve-se à rejeição por parte do retalho moderno de frutas e vegetais que não cumprem com os requisitos estéticos e de tamanhos ou calibres definidos, foi proposta uma revisão dos mesmos, de forma a, por exemplo, ir ao encontro de nichos de mercado como “baby apples” para crianças.

No que toca ao desperdício de alimentos perecíveis, foi sugerida a criação de unidades de desidratação para reaproveitar estes alimentos que podem ser consumidos secos. Outra hipótese é a criação de marketplaces onde os produtores podem mostrar os alimentos perecíveis que têm disponíveis e que, passado o ponto de utilização, podem ser usados para sumos, corantes naturais ou outros produtos processados.

Ainda no mesmo sentido, é aconselhada a utilização de campanhas que promovam a compra de peças soltas em vez de pacotes. Por fim, as doações são tidas como “chave” para o combate ao desperdício.