Covid-19: Lagarde admite usar programa de estímulos para combater alterações climáticas

Covid-19: Lagarde admite usar programa de estímulos para combater alterações climáticas

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, admitiu usar o programa de compra de ativos do BCE no valor de 2,8 biliões de euros para combater as alterações climáticas, disse hoje numa entrevista ao jornal Financial Times. 

“Quero explorar todas as vias disponíveis para combater as mudanças climáticas”, disse, numa entrevista em vídeo. 

Segundo o jornal, esta é a primeira vez que Lagarde assume compromissos para implementar uma agenda mais “verde” nas ações do banco e que a medida tornaria o BCE o primeiro dos principais bancos centrais a usar um programa de compra de ativos com este objetivo. 

O Banco, disse Lagarde ao FT, “precisa de analisar todas as linhas de negócios e operações para enfrentar as mudanças climáticas, porque no final do dia, o dinheiro fala mais alto”.

O BCE vai analisar formas de abordar as mudanças climáticas no âmbito da revisão estratégica lançada por Lagarde no início do ano e que recomeçou recentemente após ter sido suspensa quando a pandemia covid-19 surgiu em março.

Ativistas ambientais têm feito pressão sobre o BCE para alterar o programa de compra de ativos e vender obrigações “castanhas”, emitidas por empresas cuja atividade ainda produzir emissões de carbono elevadas, e aumentar as compras de títulos “verdes”. 

No sábado, a economista já tinha previsto que a crise económica vai “mudar profundamente” a economia e conduzir a mais ecologia, mais digitalização e à alteração de métodos de trabalho, e que a Europa está em “excelente posição”.

“Na produção, no trabalho e no comércio, o que estamos a viver acelerará as transformações e provavelmente levará a uma evolução em direção a um modo de vida mais sustentável e mais verde”, disse, durante uma intervenção por videoconferência nas reuniões económicas de Aix-en-Seine, em Paris.

Perante estas transformações, “a Europa está numa posição excelente para pôr em marcha esta transição”, disse, sublinhando que o continente “já abriga o maior setor de economia circular e de inovação ecológica do mundo”, e que o euro foi a primeira moeda usada para a emissão de títulos verdes.