15 minutos, o conceito do futuro

15 minutos, o conceito do futuro

A cidade dos 15 minutos é o conceito que pode vir a traçar o futuro de cidades sustentáveis, defendeu Miguel de Castro Neto. "É uma cidade em que, a uma distância tempo de 15 minutos a pé, ou de bicicleta, se consegue alcançar os serviços que são relevantes para o quotidiano do cidadão, como trabalhar, aprender, ter acesso a restaurantes, cinemas, cultura", explicou.

Mas não é apenas um conceito no papel ou no imaginário dos planeadores e pensadores da cidade. Como referiu Miguel de Castro Neto, “este conceito da cidade 15 minutos já foi objeto de estratégias e investimentos em pontos tão distantes como Melbourne na Austrália, Otava no Canadá, Detroit nos Estados Unidos e Paris em França”.

Com este conceito da cidade dos 15 minutos tenta-se construir cidades sustentáveis e promover esta mudança de paradigma em que se devolve a cidade e o espaço público às pessoas. “Este processo de transformação é de médio e longo prazo, porque implica mudanças estruturais como repensar o planeamento e o desenho das cidades de forma a criar as condições favoráveis para que seja possível ter esta cidade dos 15 minutos”, esclareceu o professor da Nova Information Management School.

Efeitos da pandemia

Este conceito de cidade implica aumentar o espaço público para o convívio das pessoas, apostar em infraestruturas verdes, devolver as cidades às pessoas, ao mesmo tempo, que se constrói um espaço urbano mais sustentável, com uma menor pegada em termos de gases com efeitos de estufa, e se promove a descarbonização. A ambição do objetivo último é devolver as cidades às pessoas ao mesmo tempo que se constrói um espaço urbano mais sustentável. Alerta que “isto terá de ser feito conciliando todos os interesses em jogo e tentando juntar os atores neste processo para a construção de um melhor futuro comum nas cidades em que vivemos”.

“Se queremos prosseguir o bem-estar das pessoas e construir cidades mais sustentáveis, isso apenas será possível ser alcançado juntando todos os atores, porque uma coisa é certa, as soluções do passado não respondem aos desafios que temos hoje nem asseguram o nosso futuro comum”, concluiu Miguel Castro Neto. Entre as múltiplas dimensões deste fenómeno na pandemia, com todos os problemas que acarreta houve algumas surpresas. Uma delas é que as pessoas começaram a andar mais a pé, a usar mais a bicicleta do que faziam até à data.

“Este desafio da mobilidade é uma das principais dimensões que temos de resolver na construção das cidades mais inteligentes e mais sustentáveis. À escala global há uma tendência para favorecer a utilização do espaço público pelos cidadãos, para promover a utilização dos modos suaves como andar a pé, de bicicleta, com inúmeras cidades no mundo inteiro a fazer investimentos muito significativos em infraestrutura que permita melhorar a utilização do espaço público para o cidadão.”