A cidade dos 15 minutos e o desafio do bem-estar

A cidade dos 15 minutos e o desafio do bem-estar

A cidade dos 15 minutos é o conceito que vai traçar o futuro de cidades sustentáveis, defendeu Miguel de Castro Neto, Subdiretor, NOVA Information Management School, na Conferência Digital Negócios Sustentabilidade 20-30, dedicada ao tema do Bem-Estar e Cidades Sustentáveis -" Como Vamos Viver em 2030?". "É uma cidade em que em 15 minutos a pé, ou de bicicleta, se consegue alcançar os serviços que são relevantes para o  quotidiano do cidadão, como trabalhar, aprender, ter acesso a restaurantes, cinemas, cultura, tudo isso num espaço pode ser feito a caminhar ou de bicicleta", explicou.

Mas não é apenas um conceito no papel ou no imaginário. Como referiu Miguel de Castro Neto, “este conceito da cidade 15 minutos já foi objeto de estratégias e investimentos em pontos tão distantes como Melbourne na Austrália, Otava no Canadá, Detroit nos Estados Unidos e Paris em França.

Esta é uma das repostas à emergência climática e aos desafios de grande dimensão que as cidades colocam. Em 2050, 70% da população mundial viverá nas cidades, que já hoje produzem 50% dos resíduos globais, consomem 75% da energia mundial e 80% das cidades emitem mais de 80% do total de emissões de CO2.

“Temos grandes desafios para manter a dita qualidade de vida de quem vive, visita ou trabalha numa cidade ou uma vila através de uma gestão eficiente de serviços e de infraestruturas, mas ao mesmo tempo tomar medidas ativas para responder a esta emergência climática”, disse Miguel de Castro Neto.

Cidades sustentáveis

 

Com este conceito da cidade dos 15 minutos tenta-se construir cidades sustentáveis e promover esta mudança de paradigma em que se devolve a cidade e o espaço público às pessoas. “Este processo de transformação é de médio-longo prazo, porque implica mudanças estruturais como repensar o planeamento e o desenho das cidades de forma a criar as condições favoráveis para que seja possível ter esta cidade dos 15 minutos”, esclareceu o professor da NOVA Information Management School.

Este conceito de cidade implica aumentar o espaço público, apostar em infraestruturas verdes, devolver as cidades às pessoas ao mesmo tempo se constrói um espaço urbano mais sustentável e com uma menor pegada em termos de gases com efeitos de estufa, se promove a descarbonização. Alerta que “isto terá que ser feito conciliando todos os interesses em jogo e tentando juntar os atores neste processo”.

 “Se queremos prosseguir o bem-estar das pessoas e construir cidades mais sustentáveis, isso apenas será possível ser alcançado juntando todos os atores, porque uma coisa é certa, as soluções do passado não respondem aos desafios que temos hoje nem asseguram o nosso futuro comum”, concluiu Miguel Castro Neto.