O caminho para um país mais smart & sustainability

O caminho para um país mais smart & sustainability

"Uma cidade inteligente e sustentável é uma cidade que usa tecnologia e a inovação para melhorar a qualidade de vida, aumentar o valor económico, a sustentabilidade ambiental e a resiliência", refere Miguel Eiras Antunes, partner Smart City, Smart Nation & Local Government da Deloitte. Aponta vários para que as cidades façam este caminho da sustentabilidade.

O primeiro passo é ver o que outros fizeram e há excelentes exemplos em Portugal e na Europa, como é o caso de Leuven na Bélgica, que ganhou o European Capital of Innovation 2020, Valência, que fez um plano alinhado com a estratégia europeia.

O segundo passo é tentar alinhar ao máximo com as políticas europeias e globais como o Green Deal ou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e, recentemente, o Climate Neutral Cities Mission. “Há cidades que são profissionais em garantir este alinhamento e através dele recolher fundos europeus; em Portugal tendemos a não nos profissionalizar neste processo de estratégia e de alinhamento e assim não acedemos a estes fundos”, assinalou Miguel Eiras Antunes.

Especificou que o projeto da Comissão Europeia, o Climate Neutral Cities Mission, que tem como objetivo ter 100 capitais neutras em carbono em 2030 e disponibiliza 53 milhões de euros para os primeiros projetos-piloto para as cidades prepararem a candidatura. Depois pressupõe um contrato em que são concedidos um conjunto de apoios. “Era muito interessante ver Portugal através de uma melhor organização entre as próprias cidades, ter algumas cidades no contexto destas 100 cidades”, afirmou Miguel Eiras Antunes. Referiu ainda que o Banco Mundial e o BEI lançaram um fundo de 100 milhões de dólares para City Climate Finance gap Fund para apoiar as cidades a tornarem-se mais sustentáveis.

Coerência estratégica

“A grande diferença entre as cidades portuguesas e algumas cidades europeias é que temos feito muitas coisas e fizemos mais do que os outros. Mas elas têm uma estratégia mais coerente”, sublinhou Miguel Eiras Antunes. “Existem muitos municípios a desenvolverem verticais na energia, na mobilidade, na eletricidade, mas vemos poucos municípios com estratégias integradas”, concorda António Almeida Henriques. A explicação é que os próprios apoios comunitários não estimulam as estratégias integradas. Por exemplo, uma das mudanças de paradigma deste quadro comunitário de apoio seria as cidades só poderem apresentar projetos desde que previamente tivessem apresentado uma estratégia.

Miguel Eiras Antunes citou estudos que referem que das 80% das emissões das cidades, 90% conseguem-se cortar através de novas tecnologias e inovação, e destes 90% cerca de 50% das emissões são de edifícios. “Uma das áreas de grande aposta para ir para neutralidade carbónica é no edificado, que são projetos de médio e longo prazo porque têm a ver com infraestruturas. Trata-se de dar inteligência ao “real estate”, a que se seguem os transportes, os resíduos”, sublinhou Miguel Eiras Antunes.

Para estas dinâmicas e ter acesso a fundos internacionais é importante “que exista uma nova forma de ver a cidade. Estes contratos são Parcerias Público-Privadas, têm que envolver o governo central, a cidade e a União Europeia, tem de haver uma alinhamento supracidade a nível nacional e compromissos dos stakeholders com os objetivos de sustentabilidade que sejam definidos”, disse Miguel Eiras Antunes. Acrescentou que “temos feito muitas coisas, o caminho é correto, mas temos de apostar numa visão integrada, dizer como é que as peças do puzzle se articulam e como é que fazemos o processo de medição. Temos tudo para ser um dos países mais Smart & Sustainability no contexto europeu”.

A visão da cidade do futuro de Miguel Eiras Antunes  ============#104_TXT_CX_Bold – TXT002 (7353132)============
Em 2030, na Europa, 85% dos habitantes viverão em cidades, diz Miguel Eiras Antunes, partner da Deloitte. Na sua visão de cidade futura, a “tecnologia e os dados não são possibilidades mas inevitabilidades para a análise dos factos, previsão e ação”.

As cidades vão mais espaços verdes, serão muito mais equilibradas do ponto de vista ambiental e terão cidadãos muito mais comprometidos com a cidade e o ecossistema urbano onde vivem. “Ouvir e consultar os cidadãos já se faz em cidades portuguesas, mas há excelentes exemplos internacionais que podemos seguir fora e vai ser essencial no futuro”, assinala Miguel Eiras Antunes.

“Vamos viver em infraestruturas mais inteligentes e movermo-nos de forma diferente, a mobilidade vai ser mais suave e mais verde, e também muito na lógica dos 15 minutos de Paris”.

Considera que o engagement do cidadão e dos diversos stakeholders e a estratégia integrada serão cruciais aos fundos comunitários como acontece com o climate neutral city com os climate city contracts, exige-se “uma estratégia que é feita de forma inclusiva, com a vertente empresarial, empresarial e com as pessoas”.

Para Miguel Eiras Antunes, o papel de presidente de câmara vai aproximar-se de um CEO “que tem objetivos e que obviamente depois terá eleições democráticas, mas haverá maior engagement, exigência, mas a gestão que é obviamente pública será mais empresarial, mais próxima do setor privado”.