Ikea aposta em energia solar e móveis usados

Ikea aposta em energia solar e móveis usados

A experiência correu bem noutros países, e agora é a vez de Portugal entrar na rota do projeto de energia solar da Ikea. A cadeia sueca de mobiliário está a ultimar os detalhes legais de uma parceria com uma empresa do setor energético, que vai permitir a venda de painéis solares fotovoltaicos para autoconsumo. O objetivo é "oferecer aos portugueses a solução mais acessível do mercado", explica ao Negócios a diretora comercial da Ikea, Michaela Quinlan.

Na prática, a Ikea vai operar como “facilitadora”, promovendo o serviço e o produto, ficando a instalação dos painéis solares fotovoltaicos a cargo do parceiro do setor energético.

A empresa sueca já oferece esta solução em sete países europeus e também na Austrália. Recentemente, a Ikea anunciou uma parceria em França com a Voltalia, uma produtora de energias renováveis que opera em Portugal, onde tem cerca de 200 colaboradores e um centro de competências solar, no Porto.

Os preços das soluções variam de acordo com a oferta disponível em cada país. Em Itália, por exemplo, 10 painéis solares, com garantia de produção de cinco anos, custam entre os 4.970 e os 5.620 euros, de acordo com a potência. Já na Holanda, os preços para soluções de oito painéis oscilam entre os 3.145 e os 4.824 euros. Para Portugal, os valores ainda não são conhecidos.

“Temos estabelecido várias parcerias a nível global e estamos muito entusiasmados por estender esta aposta a Portugal, que é um dos melhores países do mundo para o negócio da energia solar”, admite Michaela Quinlan.

Até 2025, a cadeia sueca quer disponibilizar esta solução nos 30 países onde opera.

Nova vida para o “2.ª vida”
A aposta da Ikea na energia solar surge no âmbito da “agenda da sustentabilidade” que a empresa adotou para os próximos anos. Esta segunda-feira, a gigante sueca anunciou que vai investir 3,3 milhões de euros ao longo deste ano para reduzir os preços de 220 produtos, sendo que 43% destes artigos são sustentáveis.

Ainda no domínio da economia circular, a Ikea Portugal pretende reforçar, a partir deste ano, a aposta no mercado de artigos em segunda mão. “Notamos que existe interesse por parte dos clientes. É uma área com muito potencial”, regista Michaela Quinlan. A empresa já tem em curso desde 2018 o programa “2.ª vida”, que permite a entrega de móveis usados, que depois são novamente vendidos pela Ikea, mas “ainda é uma iniciativa desconhecida pela maior parte das pessoas”, admite a responsável. A empresa está a estudar formas de tornar o programa mais eficiente e pretende dar-lhe mais visibilidade.

Nos últimos dois anos, o grupo tem estado ainda a testar em alguns mercados o aluguer de mobília. As conclusões da experiência ainda estão a ser analisadas, mas a diretora comercial admite que esta pode vir a ser mais uma unidade de negócio no futuro, nomeadamente em escritórios ou alojamentos para estudantes.

Portugal é um dos melhores países do mundo para o negócio da energia solar. Michaela Quinlan
Diretora comercial da Ikea Portugal