Lisboa Capital Verde Europeia quer “mostrar o melhor de Portugal”

Lisboa Capital Verde Europeia quer “mostrar o melhor de Portugal”

À segunda foi de vez, Lisboa candidatou-se a Capital Verde Europeia 2020 e ganhou, depois de Oslo ter ficado na dianteira em 2019. "É uma candidatura difícil de preparar, porque abrange 12 capítulos", explica José Sá Fernandes, o vereador responsável na Câmara Municipal de Lisboa (CML), já que "tivemos de dizer onde estamos, como lá chegámos e, claro, com o que nos comprometemos para o futuro".

Lisboa foi a primeira capital do Sul da Europa a ganhar – depois de Copenhaga, Estocolmo, Liubliana e Oslo – “o que ainda foi mais importante” e em 2021 será a vez de Lahti, uma pequena cidade no Norte da Finlândia, porque podem concorrer cidades com mais de 150 mil habitantes. E a decisão da próxima Green Capital, em 2022, será em Lisboa em outubro, “vamos ver se presencial ou não”.

O programa da Capital Verde está dividido em cinco vertentes: Informar, Ciência, Compromisso, Debater e Valorizar. Sendo que em cada uma delas há projetos e metas a cumprir.

Na candidatura pode ver-se a grande evolução que Lisboa teve nos últimos anos em termos de sustentabilidade: “No caso dos espaços verdes, por exemplo, arranjámos muitos dos existentes, como o Campo Grande e o Jardim da Estrela e fizemos mais 200 hectares de parques novos”, explica José Sá Fernandes, acrescentando: “Hoje temos quase 90% da população com um parque de média dimensão a 300 metros.”

Para o futuro, tudo isto é importante mas o compromisso “está muito ligado à energia”, admite o vereador da CML, uma vez que “estamos a duplicar anualmente o nosso parque fotovoltaico”.

Compromisso da cidade como um todo

Lisboa Capital Verde Europeia 2020 não é uma iniciativa “desgarrada” do município, como se sublinha no site da Green Capital 2020 (https://lisboagreencapital2020.com/), referindo vários acordos e pactos que a capital subscreveu. Por isso, o esforço não é, não pode ser, só da autarquia. Assim, lançou também o Compromisso Lisboa Capital Verde 2020 – Ação Climática Lisboa 2030, que é um “desafio à cidade, às empresas, organizações, associações, instituições, públicas e privadas, para assumirem connosco o Compromisso Lisboa Capital Verde Europeia 2020 – Ação Climática Lisboa 2030 com uma agenda ambiciosa para a próxima década, sob o mote Escolhe Evoluir: 2030 medidas para 2030”.

José Sá Fernandes diz ao Jornal de Negócios que “este compromisso já foi assinado por cerca de 300 empresas, que se comprometem com metas concretas e tarefas práticas”, que também podem ser consultadas no site.

Água distribuída por energia renovável

Na área da água, o responsável salienta que Lisboa se mostrou muito forte, “somos a quinta cidade do mundo com menores perdas de água, num excelente trabalho da EPAL. Além de que, até 2021, vamos ser a primeira cidade do mundo com toda a sua rede de distribuição de água assente em energia renovável”. A Câmara tem vindo também a instalar uma rede de água reutilizada, das ETAR, para rega e lavagem das ruas.

Vamos ser a primeira cidade do mundo com toda a sua rede de distribuição de água assente em energia renovável.

Hoje temos quase 90% da população com um parque de média dimensão a 300 metros.  José sá fernandes
Vereador na Câmara Municipal de Lisboa

Quanto à mobilidade, o vereador diz que muito já foi feito, nomeadamente com o estímulo ao uso dos “modos suaves” – bicicleta, andar a pé – mas, reconhece que “ainda há muito para fazer”. Salienta que o facto de o município ter ficado com a gestão da Carris, vai ajudar a uma mobilidade mais sustentável na capital”. José Sá Fernandes fala também no necessário envolvimento e na melhoria dos transportes em toda a Área Metropolitana. Por outro lado, lembra os projetos de ligação de Lisboa a Loures na frente ribeirinha do Tejo: “Vamos ficar com uma frente ribeirinha unida e espetacular, de Lisboa a Vila Franca de Xira, passando por Loures”, num trabalho conjunto destes concelhos.

Lisboa como “trampolim” para mostrar Portugal

José Sá Fernandes conta-nos que “uma das grandes apostas da Lisboa Capital Verde Europeia 2020 era mostrar o melhor de Portugal. A nossa programação previa muitas iniciativas para mostrar o país, que é muito pequeno, mas diverso e de grande categoria”. A pandemia levou ao cancelamento mas, principalmente ao adiamento de algumas destas ações, “mas vamos fazer a grande maioria das iniciativas”, assegura o responsável.

“A Capital Verde começou muito bem, no dia 11 de janeiro, na abertura, tivemos cá vários responsáveis internacionais e nacionais […] e depois tivemos a realização de uma grande conferência na Faculdade de Ciências com vários cientistas.”

Daqui para a frente, há duas exposições que irão mostrar Lisboa, sendo que uma já inaugurou na Biblioteca Nacional sobre os Jardins Históricos Portugueses, e a outra será sobre os Parques e Reservas Naturais e vai abrir em setembro, ficando durante vários anos no Museu Nacional de História Natural. Haverá também uma grande conferência, na Culturgest, dia 3 de novembro, sobre saúde pública.

Refere ainda algumas ações que estão a ser preparadas e cuja realização ainda dependerá da evolução da pandemia. “Como a região de Alqueva é uma das melhores da Europa para observar as estrelas, em conjunto com os municípios de Reguengos de Monsaraz e de Barrancos, queremos organizar uma noite para ‘ver estrelas e comer presunto’, uma combinação perfeita, que é quase como chegar ao céu; gostava também de juntar os presidentes de câmara da serra da Estrela – Seia; Manteigas e Covilhã – e fazer um debate sobre a serra na Torre, replicando uma iniciativa que havia nos séculos XVIII e XIX, que era a reunião dos três juízes de fora; também queria realizar uma conversa na Raia, em Mértola, sobre a nova Estação Biológica que está a ser projetada pelo CIBIO-InBio da Universidade do Porto, dirigida pelo Prof. Nuno Ferrand, e envolvendo também o Cláudio Torres, claro.”

José Sá Fernandes admite que devido aos atrasos provocados pela pandemia, algumas destas ações ficarão para o primeiro trimestre de 2021, sendo que todo o programa pode ser acompanhado no site da Capital Verde. Metas para 2030
Uma cidade comprometida com o futuro

Redução de 60% nas emissões de CO2 até 2030
Neutralidade carbónica até 2050
Resiliência às alterações climáticas
Poupança energética – 60% de redução do consumo energético (30% edifícios municipais; 20% consumo geral residencial e de serviços; 10% indústria)
Iluminação pública – 67% de redução do consumo energético
Energia solar – 100 MW potência fotovoltaica instalada; 27% dos telhados com melhor potencial solar equipados com painéis solares
Pobreza energética – erradicação até 2050
Mobilidade – Rede de transporte público fiável, acessível e integrada; Passe único em toda a AML; 410 novos autocarros de elevado desempenho ambiental até 2023; Duplicação da frota de elétricos rápidos; Mais 40% de oferta de transporte público rodoviário na AML; Expansão da rede do Metropolitano e renovação da frota da Transtejo; Redução das viagens em automóvel de 57% para 33%; Infraestrutura ciclável que ligue toda a cidade; Promoção de serviços partilhados
Espaços Verdes – Aumentar em mais 100 hectares a área atual de zonas verdes (250 ha) até 2021; 25% da cidade com espaços verdes até 2022; 90% da população vive a menos de 300 m de um espaço verde com pelo menos 2.000 m2 até 2021; Criação de sombra para combater as ondas de calor (25.000 árvores e arbustos plantados anualmente); Resiliência à escassez de água (75% de aumento da área de prados de sequeiro biodiversos)
Água – Plano Geral de Drenagem; Rede de distribuição de água reciclada; Bacias de retenção de base natural; Redução de 60% do consumo de água da CML em 2030 (face ao 5.000 m3 de 2017)
Resíduos – Redução em 50% dos resíduos indiferenciados enviados para valorização energética (incineração); Implementação em toda a cidade da Recolha Seletiva Porta-a-Porta de Biorresíduos; 50% de recolha seletiva de resíduos do total de resíduos produzidos (atualmente a taxa de recolha seletiva é de 28%); 60% na Taxa de Reciclagem e preparação para reutilização (atualmente o valor é de 34,4%); Redução da produção de resíduos per capita em 15%.
Urbanismo – Planeamento urbano focado na resiliência às alterações climáticas; Plano Metropolitano para Adaptação às Alterações Climáticas
Ruído e Qualidade do Ar – O Compromisso tem também metas específicas para a redução do ruído e de poluentes no ar
Ação Climática Lisboa 2030 – “Convidamos todas as marcas, empresas, entidades públicas e privadas, a aderir a este compromisso”