Critérios ESG incorporados em 15% a 20% das carteiras

Critérios ESG incorporados em 15% a 20% das carteiras

A sustentabilidade está a entrar no radar dos investidores nacionais. Segundo a Mercer, ao contrário do que acontecia há uns anos, os critérios ambientais, sociais e de governo das sociedades (ESG, na sigla em inglês) estão hoje incorporados em 15% a 20% das carteiras dos fundos de pensões em Portugal. Uma percentagem que, ainda assim, continua longe do que já acontece lá fora.

“Os temas ESG estão mais presentes nas decisões dos investidores. Uma das formas como se tem traduzido essa presença tem sido através de investimentos que incorporam os fatores ESG”, explica Rui Guerra ao Negócios.

O “partner” da Mercer garante que, “se até há cerca de dois ou três anos os temas ESG estavam pouco incorporados nos objetivos e decisões dos fundos de pensões portugueses, hoje em dia é um tema muito discutido e, de certa forma, já incorporado em vários fundos de pensões portugueses”. “Provavelmente cerca de 15% a 20% dos fundos tem algum tipo de incorporação de fatores ESG”, detalha.

O investimento sustentável tem vindo a ganhar tração a nível europeu nos últimos anos, uma tendência que foi acelerada durante a pandemia, com os investimentos sustentáveis a revelarem-se mais robustos e mais rentáveis neste período de turbulência.

A maioria dos fundos de pensões na Europa assume preocupações com critérios ESG nas suas decisões.

90% consideram sustentabilidade

À semelhança do mercado nacional, em que as preocupações com critérios sustentáveis estão a crescer, também a nível europeu os produtos que cumprem critérios ESG estão cada vez mais no radar. Segundo o estudo anual da Mercer, apresentado esta segunda-feira, cerca de 90% dos fundos de pensões europeus têm em consideração os riscos ESG nas suas decisões de investimento, quase o dobro dos fundos (55%) que assumiam estas preocupações um ano antes.

Segundo o mesmo estudo, a regulamentação continua a ser a principal razão das preocupações com os riscos ESG (85%), sendo 51% influenciados pelos benefícios percecionados no que se refere ao risco e ao retorno dos seus investimentos. Por outro lado, “40% referem que o fazem para mitigar potenciais danos de reputação e 30% demonstram querer alinhar as métricas de risco ESG com as estratégias de responsabilidade corporativa já existentes”, adianta a consultora.

O estudo conclui ainda que mais de metade (54%) dos investidores institucionais europeus estão a considerar o impacto das alterações climáticas nas suas decisões de investimento, uma percentagem que compara com 14% em 2019.