A urgência de reduzir o desperdício têxtil

A urgência de reduzir o desperdício têxtil

Em seis anos, de 2012 a 2018, “a produção de resíduos do setor têxtil aumentou em cerca de 50%, sendo que a representatividade de resíduos de natureza têxtil aumentou seis pontos percentuais. Não obstante, o encaminhamento de resíduos para processos de valorização aumentou em 13 pontos percentuais”, segundo um estudo encomendado pela Zero Desperdício (ZD) à consultora Winnig, no âmbito da preparação do projeto do projeto “Share2Use”, cofinanciado pelo Fundo Ambiental no âmbito da linha de financiamento “Educação Ambiental + Sustentável – Produção e Consumo Sustentáveis”.

Este projeto está em fase de finalização e consiste no desenvolvimento de uma plataforma colaborativa, que visa assegurar a comunicação e partilha de excedentes têxtil, entre doadores e beneficiários, reduzindo o desperdício e aumentando o ciclo de vida das peças de vestuário e/ou têxtil-lar, através da revalorização. Este projeto procura, à semelhança do que sucede no fluxo alimentar gerido pela ZD, gerar um movimento de combate ao desperdício têxtil, assegurar a medição de impacto ambiental, económico e social no fluxo têxtil e promover a visibilidade destes impactos na comunidade de forma inovadora e educativa.

A indústria têxtil é a segunda mais poluidora do mundo, a seguir ao petróleo e o fast-fashion levou a um aumento da compra de roupa por cada cidadão nas sociedades desenvolvidas. Mas urge inverter esta tendência porque, como salienta Paula Policarpo, presidente da Zero Desperdício “o têxtil é um problema de emergência ambiental e social”, porque “exerce uma enorme pressão sobre os recursos como água e solo, mas também usa mão-de-obra escrava e infantil”, por isso “pretendemos que esta plataforma seja uma ferramenta de consciencialização, porque as pessoas ainda têm pouca informação sobre a pegada desta indústria e da sua roupa”. Sabia que, por exemplo, uma t-shirt branca de algodão usa 2.700 litros de água potável para ser produzida? O mesmo que cada um de nós gasta, em média, em dois anos e meio.

Por seu lado, André Machado Gonçalves, diretor técnico do projeto, adianta que “a plataforma vai permitir rastrear o têxtil, incluindo uma ‘calculadora ambiental’ que irá mostrar a pegada hídrica e carbónica de cada peça de roupa”. E adianta: “as políticas públicas e o comportamento do consumidor estão a mudar, havendo estudos que indicam que em 2029 a revenda, troca e devolução irá ultrapassar o fast-fashion, por isso está na altura de agir”.

No âmbito do projeto, a Zero Desperdício realizou um webinar sobre “O Desperdício Têxtil em Portugal: Desafios e Soluções”, que contou com a participação de oradores de várias entidades como a Quercus, a Nova SBE, a Lipor, a Câmara Municipal de Lisboa e consultoras e cujo vídeo está disponível no site da ZD.