Ambiente põe em “alto risco” 2,2 biliões de dívida

Ambiente põe em “alto risco” 2,2 biliões de dívida

A agência de notação financeira analisou 84 setores, que correspondem a 74,6 biliões de dólares de dívida. Entre estes, a fatia que está exposta a risco elevado imediato soma 517 mil milhões, aos quais se juntam outros 1,7 biliões referentes às entidades para as quais o risco elevado é emergente. Assim se perfaz um total de 2,2 biliões de dólares.

A análise da Moody’s avalia a exposição de cada setor a cinco categorias que são consideradas as mais relevantes no que toca a riscos ambientais. São elas a poluição do ar, a poluição dos solos e das águas, as restrições no uso de terrenos, a escassez de água, a regulação das emissões de carbono e as catástrofes naturais ou humanas.

Dentro do grupo de mais “alto risco” destacam-se a exploração de carvão, a par das “utilities” e das energéticas. Estas “já experienciaram uma pressão substancial” no crédito em resultado dos riscos ambientais, nota a Moody’s.

No caso da indústria do carvão, a pressão resulta sobretudo da redução da procura pela matéria-prima, que se pode manifestar ao nível das receitas e margens, embora com algumas nuances. Há variações consoante a região e o tipo de carvão em causa: aquele que é produzido para fins metalúrgicos estará menos comprometido que aquele usado para fins térmicos. O custo cada vez menos competitivo em comparação ao gás e às energias renováveis está a contribuir para os desequilíbrios na dívida.

As ‘utilities’ e as energéticas são diretamente pressionadas para cortar emissões. Moody’S
Estudo Global de Riscos Ambientais 

Já as “utilities” e energéticas estão “diretamente expostas à pressão legislativa para o corte das emissões”, o que pode causar disrupções nos modelos de negócio e também nas margens financeiras. Também aqui existem diferenças relevantes entre emissores, que têm em conta o peso da geração de energia na empresa, as tecnologias envolvidas e a localização geográfica. A pressão é menor, por exemplo, na Ásia em comparação com a Europa, uma vez que no Oriente a procura ainda está em franco crescimento.

Os restantes nove setores deverão sentir as mesmas pressões, mas apenas num horizonte de três a cinco anos, prevê a agência, que os insere na categoria de riscos elevados emergentes. Aqui estão contempladas a indústria automóvel, química, mineira, dos materiais de construção, produção e exploração de petróleo, de gás, refinação e marketing de petróleo e gás, do aço, transportes náuticos, terrestres e logística.

“Os emitentes nestes setores tendem a ter uma maior flexibilidade que aqueles incluídos na categoria de ‘riscos elevados imediatos’, no que diz respeito à resposta à regulação, dentro do tempo da despesa de capital requerida”, explica a Moody’s. Esta prevenção pode ser feita tanto através do investimento em soluções e na prevenção dos danos ambientais como, por outro lado, optando por passar os custos inerentes para os clientes ou contribuintes.

TOME NOTA

O “termómetro” do risco de crédito