Beta-i e Sociedade Ponto Verde estão “à caça” de inovação nos resíduos

Beta-i e Sociedade Ponto Verde estão “à caça” de inovação nos resíduos

A Beta-i e a Sociedade Ponto Verde uniram-se para lançar um programa de inovação na área dos resíduos. O Re-Source quer encontrar start-ups desta área e pô-las a falar com entidades do setor, para que se possam desenvolver novas soluções.

“Temos como objetivo colocar as start-ups na frente de grandes empresas, que partilham dados, abrem portas e investem nas soluções de diferentes formas”, explica Ricardo Marvão, cofundador da Beta-i. Neste sentido, abrem-se “portas de negócio” para os empreendedores, já que podem “adaptar as suas propostas de negócio às necessidades de inovação”, que foram identificadas pela Beta-i e a Sociedade Ponto Verde. “Isto permite que estas se apresentem às empresas investidoras com outro nível de evolução e adaptação ao mercado real”, conclui.

Ainda estão a ser recebidos contactos de parceiros que queiram fazer parte do programa, que são basicamente entidades envolvidas na cadeia de valor do setor da reciclagem, desde retalhistas, produtores de sacos do lixo, designers ambientais, municípios com grupos de com foco na gestão de resíduos, entre outros.

O objetivo é selecionar as 25 melhores ideias. Após a fase de candidaturas, o programa terá uma duração de 4 meses, de julho a outubro. De julho a setembro, as start-ups selecionados e parceiros irão trabalhar em conjunto no desenvolvimento de projetos-piloto adaptados a diferentes oportunidades e desafios previamente estabelecidos. Em outubro, cada solução desenvolvida na fase de bootcamp será depois apresentada ao ecossistema e testada no contexto real.

Os desafios identificados pelos promotores passam, por exemplo, pela alteração e simplificação da forma como é declarada e contabilizada a produção de embalagens, que não sofre alterações há 25 anos, de acordo com as mesmas. Também se pretende a simplificação do processo de separação, através da digitalização, de gamificação ou do reforço da confiança e conhecimento dos consumidores. Outra aposta, que Marvão identifica como “área de particular interesse” é a rastreabilidade dos resíduos ao longo de toda a cadeia por forma a obter dados sobre a localização e fluxos de circulação desses resíduos e analisar esses dados e poder agir sobre eles.

Portugal no bom caminho, mas ainda falta

Os dados mais recentes são reveladores da crescente participação dos portugueses na reciclagem. Nove em cada 10 afirmam fazer reciclagem de embalagens, considerando este como o comportamento de maior relevância para o ambiente, aponta a SPV.

“Os números são positivos, mas é preciso continuar a aumentar a participação de todos neste processo para que se separe cada vez mais e melhor”, afirma a CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais. A líder da SPV relembra as metas de Portugal nesta área, que considera “ambiciosas”. O país compromete-se a reciclar 55% dos seus resíduos até 2025, e 65% das embalagens, no mesmo ano.

“Nos próximos 10 anos, as opções políticas ao nível europeu, nomeadamente as enquadradas pelo Pacto Ecológico Europeu e o novo Plano de Ação para a Economia Circular, vão ser determinantes e exigirão um compromisso de todos os envolvidos na cadeia de valor das embalagens”, vaticina. Assim, o principal objetivo da SPV nesta colaboração com a Beta-i é reforçar o investimento da na inovação do setor, indo ao encontro dos principais desafios.