Índice verde de risco vai medir sustentabilidade das empresas

Índice verde de risco vai medir sustentabilidade das empresas

"Os nossos modelos de risco estão a ser revistos em função da sustentabilidade. Há um novo modelo de risco que as autoridades europeias estão agora a desenvolver que é o Green Asset Risk, em que é um índice de risco dos portefólios das empresas, que vai dizer o grau de exposição dessas empresas aos temas da sustentabilidade", disse Ricardo Valadares, diretor de Comunicação, Marca e Sustentabilidade do Millennium bcp, na conferência digital "Comunicação de Sustentabilidade: Qual o Retorno?" no âmbito do Negócios Sustentabilidade 20-30 uma iniciativa do Negócios e com Alto Patrocínio da Presidência da República. 

Deu como exemplo o facto de o Millennium bcp na Polónia ter deixado de conceder financiamentos a empresas de mineração de carvão. “Foi uma opção, era uma linha de negócio que nos dava dinheiro, mas entendemos que de uma ponto de vista de coerência não podíamos estar a apregoar que somos socialmente responsáveis e depois estar a financiar energias poluentes. A alternativa poderia ser financiar a sua descarbonização, e seria uma forma de ajudar as empresas a fazer a reconversão do seu ciclo”.

Nesse sentido tem de ser coerente com uma política de sustentabilidade e de responsabilidade social alinhada com o negócio. Sustentou que há mais de uma década que no BCP se trata de sustentabilidade, mas esta tem um papel cada vez mais importante e tem vindo a ganhar relevo dentro das organizações.

Para Ricardo Valadares, a sustentabilidade é transformacional. “Os clientes e os investidores vão passar a escolher as entidades com as quais se relacionam ou investem em função do que essas entidades fazem em prol da sustentabilidade. Não é mais a empresa que escolhe os seus clientes, são estes que vão escolher as empresas, são os investidores que vão dizer em que empresas é que investem”.

“Desde há 20 anos que a EDP quer fazer da sustentabilidade uma tendência e desde então que a questão da sustentabilidade se insere no plano de negócios em todas as vertentes como a financeira, a ambiental, as pessoas”, sublinhou Paulo Campos e Costa, diretor de Comunicação de Marca e Marketing da EDP. É importante a sustentabilidade na forma como produzimos energia, como a distribuímos e como a utilizamos.

Assista aqui à conferência Comunicação de Sustentabilidade | Qual o Retorno?

Sustentabilidade é equilíbrio

 

“As empresas tinham alguns dos princípios de sustentabilidade anteriormente nas políticas de responsabilidade social que não era um conceito tão abrangente”, refere João Epifânio, Chief Sales Office da Altice. A sustentabilidade não pode ser vista só no âmbito da proteção ambiental mas tem de ser vista mas de uma forma mais lata. “É um fenómeno de equilíbrio ambiental, social, económico e o facto de a sustentabilidade ser hoje um tema tão envolvente em que as pessoas estão tão disponíveis para participar tem a ver com o facto de o mundo ter atingido pontos de desequilíbrio que foram acentuados pela pandemia e com grande peso nas redes sociais que hoje são determinantes para estas discussões”.

A sustentabilidade não é um exercício de cosmética de empresas que têm muitos lucros, mas um eixo estratégico da sua existência, para Manuela Botelho, secretária-geral da APAN. “As empresas por existirem já estão a fazer um trabalho de responsabilidade social porque estão a criar emprego e têm de dar lucro, porque se não derem lucro não há quem queira investir para criar emprego. Nós dependemos todos uns dos outros e todos beneficiamos quando alguém decide investir o seu dinheiro no seu negócio, diz Manuel Botelho. Não que há esconder que as empresas têm de dar lucro e quanto mais derem, maior probabilidade de esses investidores aumentarem mais o seu negócio e criarem mais emprego.

Sublinhou que “o lucro a que as empresas têm direito não pode é ser feito à custa da deterioração do planeta, da força de trabalho e quando se fala em sustentabilidade é fazer o bem, bem feito. É fazer aquilo que as empresas fazem por natureza mas de uma forma correta, sem ser à custa de desbaratar recursos ou de mal tratar os seus colaboradores”.