O que avaliam os rankings de sustentabilidade?

O que avaliam os rankings de sustentabilidade?

O que avaliam alguns dos principais ran- kings de sustentabilidade e como funcionam? A questão coloca-se para instrumentos de medição como o Ranking de Sustentabilidade dos Países da RobecoSAM, o Yearbook da Standard & Poor’s, o Global 100 da Corporate Kinghts e do Carbon Disclose Project.

Segundo o Financial Times, ESG (environmental, social and governance) é um termo geral utilizado nos mercados de capitais e utilizado pelos investidores para avaliar o comportamento empresarial e para determinar o desempenho financeiro futuro das empresas. Mas estes princípios ambientais, sociais e de governação são a nova medida de sucesso tanto para empresas, organizações sem fins lucrativos como para países.

Todos os rankings analisam os ESG, no entanto, na base destes princípios estão também as Normas GRI (Global Reporting Iniciative), que orientam os reportes de sustentabilidade, ou seja, que servem de base aos ‘relatórios de sustentabilidade’ de qualquer organização, em que informa publicamente os seus impactos económicos, ambientais e sociais e, consequentemente, as suas contribuições – positivas ou negativas – para os objetivos de desenvolvimento sustentável.

A base das estratégias de sustentabilidade

Como é que estes princípios e normas se enquadram nas empresas? Tiago Rogado, CEO da consultora Caravela Sustentável, salienta que a preocupação de muitas empresas de serem mais sustentáveis se acentuou após a assinatura do Acordo de Paris, em 2015, “começando, desde aí, a incorporarem as metas da Agenda 2030 e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) nas suas estratégias de negócio”.

Muitas das empresas começaram as suas ações no sentido da sustentabilidade no âmbito da qualidade, ambiente e segurança, mas mais recentemente, “para procurar dar respostas mais abrangentes a esta questão, começaram então a incluir na sua estratégia os princípios ESG, que passaram a estar enraizados, desde logo, na tomada de decisão”.

O consultor aponta quatro passos que as organizações podem seguir num caminho para a sustentabilidade – “atenção que isto não é uma receita”, alerta – “o primeiro é identificar os indicadores de sustentabilidade económica, ambiental e social que se adaptam à organização; o segundo é definir objetivos e metas que sejam mensuráveis; o terceiro é assegurar a capacidade de recolha e informação, que seja passível de ser trabalhada, para poderem ser reportados (nos relatórios de sustentabilidade, por exemplo) e verificados, até pelas empresas dos rankings; e o quarto passo implica uma visão de longo prazo, uma vez que nas organizações é fundamental demonstrar a todos os stakeholders quais são os impactos, positivos e negativos e em cada um dos pilares – económico, ambiental e social – de cada escolha, ação, iniciativa que se toma”.

RobecoSAM Country Sustainability Ranking

O Country Sustainability Ranking analisa 150 países, abrangendo 23 economias avançadas e 127 países emergentes e em desenvolvimento, e é atualizado semestralmente. O ranking concentra-se em fatores de ESG, tais como envelhecimento, corrupção, instituições, e riscos ambientais – de longo prazo. Por isso, explica a empresa, “a nossa avaliação da sustentabilidade do país oferece uma visão abrangente dos pontos fortes e fracos de um país que não são tipicamente cobertos por uma classificação de risco soberano tradicional”.

A RobecoSAM adianta que “a pontuação do país ESG se baseia em 40 indicadores, resumidos em 15 critérios. Três dos quais ambientais com um peso de 20%, cinco sociais com um peso de 30% e sete de governação com um peso de 50%. A pontuação varia de um a dez, sendo dez a pontuação mais alta e um a mais baixa.”

No mais recente ranking, divulgado em janeiro de 2021, Max Schieler, especialista sénior de Risco do País, destaca uma clara lacuna entre os países do Norte e do Sul da Europa. Os nórdicos e as nações do Norte da Europa são novamente os mais sustentáveis, enquanto a Europa do Sul continuam mais abaixo na classificação.

Como seria de esperar, afirma Max Schieler, “a resposta à covid-19 tem sido, mais uma vez, um fator importante na determinação da sustentabilidade de um país, devido principalmente à força dos seus sistemas de saúde, redes de segurança social, e governação global”.

Curiosamente, Portugal tinha sido um dos destaques do relatório de julho de 2019, com o analista a afirmar que “os melhores progressos foram vistos por Portugal, que está a reestruturar a sua economia à medida que emerge lentamente da recessão, e pela Indonésia, que tem feito melhorias consideráveis em matéria de direitos humanos”, destacando-se “como os países com os avanços mais significativos ao longo dos últimos cinco anos”.

7.000Empresas
No seu livro anual de sustentabilidade, a Standard & Poor’s analisou 7.000 empresas. 

Max Schieler dizia ainda que Portugal “fez progressos notáveis desde o tempo do seu programa de ajustamento. Com o apoio da UE e do FMI, tem sido muito ativo na prossecução de reformas importantes em áreas-chave, tais como competências de emprego, mercado de trabalho, investimento, ambiente empresarial e das finanças públicas, todas elas serviram para reforçar a produtividade e a competitividade”.

Sustainability Yearbook e Global 100

No seu “livro anual” de sustentabilidade, divulgado em fevereiro de 2021, a Standard & Poor’s analisou 7.000 empresas, atribuindo 70 medalhas de ouro, 74 medalhas de prata, e 98 medalhas de bronze, através da sua Avaliação Global de Sustentabilidade Empresarial (CSA, Corporate Sustainability Assessment).

Desta avaliação fazem parte a EDP (medalha de prata), a Galp (medalha de bronze) e o BCP (apenas como membro do Yearbook).

Também a CSA é feita com base nos princípios ESG, até porque em 2020 as atividades de recolha de dados do ESG da RobecoSAM e da Avaliação da Sustentabilidade Empresarial foram transferidas para a S&P Global em 2020, sendo o Yearbook agora publicado pela S&P Global, embora a Robeco continue a trabalhar em estreita colaboração com a S&P Global e aconselhando sobre a metodologia CSA.

Outro ranking muito conceituado internacionalmente é o Índice Global 100, das empresas mais sustentáveis do mundo. Uma lista, igualmente com base nos princípios ESG, que é compilada pela empresa de comunicação social e consultoria de investimento sediada em Toronto, Corporate Knights. E que, habitualmente, é anunciado anualmente no Fórum Económico Mundial, em Davos.

Quatro empresas nacionais no CDP

Um outro ranking muito reputado é o Carbon Disclosure Project (CDP), embora incida apenas em critérios ambientais.

No último relatório, divulgado no início de março pela CDP e pela consultora Oliver Wyman, Portugal melhorou a sua posição no combate ao aquecimento global e tem agora quatro empresas consideradas pioneiras em termos ambientais: CTT, EDP, Sonae e The Navigator Company foram classificadas com nota ‘A’.

O relatório baseia-se nos dados que cerca de mil empresas europeias, com um valor de mercado aproximado de 80%, revelaram em 2020 à Carbon Disclosure Project que gere o sistema de divulgação ambiental mundial.

O relatório apresenta também um modelo com três cenários possíveis para 2030, ao estabelecer taxas alternativas de aceleração na definição de objetivos das empresas. Assim, para limitar o aquecimento global a 1,5 ºC, seria necessário multiplicar por oito o nível atual de ambição das empresas europeias em matéria de emissões.

Estes cenários baseiam-se nas pontuações da CDP, que dão uma indicação geral do rendimento climático atual de uma empresa, e nas qualificações de temperatura, que atribuem um caminho a seguir para controlar a temperatura das empresas em função dos objetivos de redução de emissões.