Web Summit: Sustentabilidade está na mira dos investidores

Web Summit: Sustentabilidade está na mira dos investidores

Na Web Summit, há um crescente entusiasmo pela sustentabilidade. Cada vez mais investidores estão interessados no investimento de impacto, que está alinhado com os objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, garante a organização. Mas esta ainda não é a área que desperta maior interesse dos participantes, que preferem setores como as fintech.

“Nós acreditamos que a nossa rede sem paralelo de empreendedores e líderes pode e irá ter um papel crucial na luta contra as alterações climáticas e a perda de biodiversidade catastrófica”, afirma Alex Mackenzie, o responsável pelos investidores na Web Summit.

60Investidores
Entre os vários investidores que estarão no evento, inserem-se 60 empresas focadas em investimento de impacto.

Vão ser recebidas 60 empresas focadas no investimento de impacto, e mais de 100 fora desta categoria que também poderão acabar por se interessar pelo mesmo tipo de oportunidades, conta. No total, os participantes somam uma capacidade de investimento de 300 mil milhões de dólares e Mackenzie destaca o crescimento no que toca aos representantes institucionais. Um dos nomes mais sonantes será o de Fred Wilson, cofundador da Union Square Ventures, que está a aprofundar muito o estudo nesta área, refere o responsável por estes participantes.

Sem dúvida que os investidores acreditam num futuro mais sustentável. Alex Mackenzie, Responsável pelos investidores Web Summit

Mackenzie perceciona que “sem dúvida que os investidores acreditam num futuro mais sustentável”, sendo que é com base numa visão de futuro que se fazem muitas das escolhas. Apesar de tudo, no que toca ao investimento de impacto, “alguns já fizeram as contas, outros ainda estão a fazer”. De qualquer forma, “se há uma área que está subexplorada é o investimento de impacto”, e os investidores acreditam que há aqui “a oportunidade de bater o mercado” em termos de retorno.

Neste sentido, espera que “as pequenas conversas orgânicas conduzam a uma mudança significativa”, já que “qualquer grande movimento se processa em torno da educação” para o tema. Durante o evento vão existir mais de 75 mesas redondas, nas quais os participantes se irão debruçar sobre vários temas. O investimento de impacto vai estar no centro da discussão em 20 dessas mesmas mesas.

E, no evento, há várias empresas candidatas à escolha. Desde 2017 que a sustentabilidade é uma das 25 indústrias em que o evento divide as start-ups e, se nesse ano se contaram 62, no seguinte o número desceu até às 57 para em 2019 voltar a subir, até às 77.

O interesse em start-ups de impacto está especialmente aguçado em duas subcategorias: aquelas que apresentam técnicas rigorosas para medir o impacto e que facilitem a vida aos utilizadores no que toca a esse controlo. Em segundo lugar, aquelas com tecnologia que permite uma redução dos custos para o cliente ao mesmo tempo que o torna mais sustentável. Ainda assim, a área de impacto ainda não estará no topo das prioridades dos investidores, que parecem ter para já mais interesse pelas fintech, por se estar a converter numa “infraestrutura base em todas as empresas” ou pelo o software como um serviço (SaaS, na sigla em inglês). Desenvolvimento sustentável ganha espaço no palco e nos bastidores

Há quatro edições que a sustentabilidade entrou em força no vocabulário da Web Summit: inaugurou-se um palco dedicado, criou-se o cargo de responsável de impacto – ou Chief Impact Officer – e começaram a multiplicar-se as iniciativas, tanto nos dias do evento como no dia-a-dia da empresa que o prepara. Agora, a conferência aderiu aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e criou mesmo uma estratégia para esta área.

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Na primeira edição em Lisboa gastaram-se 220 mil copos de plástico, que foram depois substituídos por copos de papel.

“Até 2016 o ambiente não tinha representação no Web Summit”, afirma o CIO da conferência, Peter Gilmer. Mas logo nesse ano, foram bem visíveis os números no que toca aos resíduos: os participantes gastaram mais de 220.000 copos de plástico de utilização única nos três dias do evento.

6Palco
Desde 2017, a Web Summit e a “irmã” Collision repetiram um palco dedicado ao ambiente por seis vezes. 

Em 2017, deram-se os primeiros passos para mudar de direção, e trocaram-se os copos de plástico por outros de papel, assegurando-se também a reciclagem dos mesmos. Este foi ainda o ano de estreia do palco “planet:tech” na conferência “irmã” da Web Summit, a Collision. Desde então, este palco repetiu-se seis vezes em ambos os lados do Atlântico, e na edição de 2020 permanece um tópico-chave, diz Gilmer. A presença de Al Gore no palco central teve por fim um papel importante: “mostrou realmente que o apetite pela sustentabilidade era o futuro e redobrámos o nosso esforço”, conta Gilmer.

Passado dois anos, a vontade de enveredar por um caminho mais sustentável passou a organizar-se sob uma estratégia. Tem três pilares: um deles, mais visível, é a Web Summit como ponto de encontro de empreendedores e líderes. Neste aspeto, o objetivo é que os participantes se cruzem com a sustentabilidade através de conteúdos – como as mesas redondas – ou iniciativas. Em 2020, por exemplo, a Web Summit vai pela primeira vez dar palco às empresas que quiserem anunciar o seu compromisso com a meta de zero emissões de carbono.

Já no caminho para os bastidores, encontra-se o segundo pilar: a Web Summit como evento. Aqui, inclui-se o esforço por reduzir o desperdício nos dias da conferência. Além da mudança do material dos copos, a Web Summit fechou uma parceria com a organização Zero Desperdício, à qual passou a doar as refeições que sobram para depois serem distribuídas por instituições de solidariedade. Desta forma, reduz-se ainda a pegada ecológica do evento.

Finalmente, no resto do ano, promove-se a sustentabilidade na Web Summit como empresa. Os colaboradores são por exemplo incentivados a deslocarem-se para o trabalho de bicicleta ou transportes públicos, subsidiando estas soluções.