Afonso Arnaldo: “Este é o momento para lançar novas bases de crescimento”

Afonso Arnaldo: “Este é o momento para lançar novas bases de crescimento”

Deloitte é o "knowledge partner" dos Prémios Negócios Sustentabilidade. Afonso Arnaldo, o "partner" responsável por esta área na consultora, salienta a importância de aproveitar a crise para adotar modelos de negócio mais sustentáveis.

O atual contexto marcado pela pandemia da covid-19 e a crise económica veio reforçar a importância da adoção de modelos de negócio mais sustentáveis ou, por outro lado, vai levar as empresas a relegarem para segundo plano o investimento nesta área?
No início da crise pandémica poderia pensar-se que as questões ligadas à sustentabilidade iriam, dada a conjuntura mundial, ser negligenciadas ou colocadas em segundo plano. No entanto, rapidamente se percebeu que parte da solução para esta crise passa, na verdade, por uma adaptação do nosso estilo de vida enquanto cidadãos e pela promoção de um novo modelo de desenvolvimento e de negócio, mais sustentável e competitivo.

Este é um momento importante para as organizações lançarem novas bases para o crescimento, fazer transformações estruturais na forma de pensar o negócio, de modo a contribuir para um futuro mais resiliente e para uma sociedade mais preparada para enfrentar os desafios dos novos tempos. A última vez que se reconheceu a importância de repensar o modelo de negócio foi na crise de 2008, no entanto, na altura, a abordagem centrou-se principalmente numa perspetiva económico-financeira. Hoje evoluímos para uma perspetiva de negócios económica, social e ambientalmente sustentáveis, pois só assim poderemos desenvolver negócios de sucesso, consistentes e resistentes a futuras crises.

Os líderes europeus têm sublinhado a importância de a retoma da economia europeia assentar em critérios de sustentabilidade. Como se garante que isto acontece?
O primeiro passo é precisamente esse: que decisores políticos fomentem uma retoma baseada em princípios sustentáveis. O segundo é consciencializar os cidadãos e as empresas para essa retoma sustentável. Acredito que essa consciência tem vindo a aumentar nos últimos anos. A par disto, cabe às empresas e instituições criar e estimular mudanças no tecido empresarial com o propósito de implementar o conceito de sustentabilidade, e tudo o que ele compreende, na sua visão e no seu propósito. Tudo isto tem de ser feito numa simbiose entre empresas, organizações e associações, com os agentes políticos nacionais e locais e a sociedade civil.

A sustentabilidade é só um tema das grandes empresas? Como é que as PME podem abraçar este tema na gestão dos seus negócios?
As grandes empresas têm, de facto, uma responsabilidade acrescida pela sua expressão mediática e pela possibilidade de serem identificadas como um modelo para as restantes. Na Deloitte, mais especificamente, assumimos, desde cedo, o objetivo de dar o exemplo na construção de um mundo mais sustentável, seja através da diminuição da emissão de gases poluentes nos nossos escritórios, seja na promoção de comportamentos mais responsáveis por parte dos nossos colaboradores. Tal não significa, no entanto, que o conceito de sustentabilidade não tenha de estar presente também nos modelos organizacionais das PME. Na verdade, a pandemia da covid-19 veio reforçar a importância de um modelo sustentável nestas empresas, numa ótica de garantia da competitividade e crescimento de negócio.

O bom “governance” das empresas é um fator fundamental para assegurar a sustentabilidade. Portugal está ainda atrasado neste domínio face a outros países europeus?
O bom “governance” deve permitir a implementação de práticas que promovam a maximização de valor e minimização de riscos e tem uma grande importância quando falamos de sustentabilidade. Em Portugal, a maior complexidade das operações empresariais, o aumento do escrutínio e o imperativo da transparência na atuação empresarial, tem exigido um maior controlo das operações por parte dos líderes organizacionais e, nesse sentido, tem havido uma melhoria significativa dos processos de “governance” no nosso país que, de resto, a Deloitte tem vindo a reconhecer nos IRGAwards.

A Deloitte é o “knowledge partner” dos Prémios Negócios Sustentabilidade. Que importância atribui a esta iniciativa?
A Deloitte tem como propósito “make an impact that matters”. É a partir dele que desenvolvemos o nosso negócio, as nossas ações e a nossa relação com a sociedade. É, também, com esse propósito que nos associámos, como “knowledge partner”, a esta iniciativa.

Desde cedo que a Deloitte tem vindo a olhar para as questões da sustentabilidade, seja ela ambiental, social ou económica, como um pilar essencial para a construção de um futuro próspero e de uma sociedade mais coesa. Importa agora incutir nos cidadãos e nas empresas a consciência da necessidade de construção de modelos mais sustentáveis e eficientes sendo, para isso, fundamental a criação de iniciativas como os Prémios Negócios Sustentabilidade, que distinguem as boas práticas de sustentabilidade em Portugal. Esta é também uma forma de conseguirmos potenciar novas ações nesta área por parte das empresas e, assim, criar um impacto relevante na sociedade.