Ambiente não trava bitcoin no meio da “febre especulativa”

Ambiente não trava bitcoin no meio da “febre especulativa”

2020 foi um ano de ascensão a pique para a bitcoin, e o furor nos mercados continuou em 2021. As exigências energéticas deste ativo não parecem estar a ser consideradas nas cotações, mas também não deverão ser um travão para o futuro da moeda.

“É verdade que, ao contrário do ouro e de outros ativos com que tem sido comparada, a bitcoin não tem qualquer valor intrínseco, ou se o tiver será negativo devido ao tal custo ambiental”, mas, “neste momento, não me parece que essa preocupação esteja sequer presente na avaliação feita pelos especuladores”, avalia Ricardo Evangelista, analista sénior da ActivTrades. Isto, apesar de considerar que “o impacto ambiental é sem dúvida algo que deveremos ter em conta e que levanta questões ao nível da sustentabilidade, que tende a ocupar um lugar de cada vez maior destaque no topo da agenda política e corporativa”.

A bitcoin subiu 305,07% em 2020, ano em que terminou quase nos 29.000 dólares. Em 2021, fevereiro foi o mês de passar os 58.000 dólares. Vários fatores terão contribuído para o salto. Em maio passado, a capacidade de fabricar novas moedas caiu para metade, num processo conhecido como “halving”, e ao qual se tem seguido uma subida nos preços. Entretanto, os investidores institucionais começaram a mostrar interesse, com nomes como Paul Tudor Jones, Stanley Druckenmiller e Elon Musk a apostarem na criptomoeda. Paralelamente, bancos e instituições governamentais consideraram lançar as suas próprias divisas digitais.

58Máximo
A bitcoin ultrapassou a barreira dos 58.000 dólares em fevereiro, marcando um novo máximo histórico.

“Não me surpreenderia que a dinâmica de ganhos continuasse, alimentada pela febre especulativa”, que “poderá continuar a prevalecer ou poderá desvanecer-se”, afirma o analista da ActivTrades, para quem “a dinâmica que enquadra a atual procura pela bitcoin é de natureza especulativa, com os especuladores a não se preocuparem com a análise dos fundamentais que costumam suportar a lógica de investimento, focando-se apenas na subida do valor, gerada pela febre especulativa e numa espécie de fé de que a descentralização que caracteriza a criptomoeda irá continuar a sustentar o crescimento da procura”.

O investigador do Centro de Finanças Alternativas da Universidade de Cambridge, Michel Rauchs, não faz previsões de cotações, mas está confiante no futuro da criptomoeda: “a bitcoin ultrapassou todos os obstáculos até agora. Não penso que isso vá mudar”. Rauchs acredita que a bitcoin se irá impor como investimento alternativo, “como se tem vindo a estabelecer”, mas nem tanto como método de pagamento. “Não está a competir com o dólar”, diz.