Baixa do petróleo não trava aposta nas renováveis

Baixa do petróleo não trava aposta nas renováveis

A baixa do preço do petróleo, que chegou a negociar pela primeira vez em valores negativos em abril, não vai desincentivar o investimento em renováveis. A garantia é dada por empresas como a Galp, EDP, Finerge, Iberdrola ou Goldenergy. Isto apesar de poder tornar as fontes de energia limpas menos competitivas face ao gás natural, por exemplo. E, no final das contas, até pode ser benéfico para a fatura dos portugueses.

Para Pedro Amaral Jorge, presidente da APREN, a descida do barril de petróleo não vai ser um entrave para o desenvolvimento das renováveis. “Antes pelo contrário”, comentou. “O petróleo sempre desempenhou um papel central no macrofinanciamento global. Mas mesmo com tentativas de gestão coordenada da OPEP, é provável que ocorra uma quebra de correlação com produção em alguns mercados, potenciando ainda mais a penetração de energia renovável que venha assegurar as novas necessidades de consumo de eletricidade ou combustíveis sustentáveis, como é o caso do hidrogénio verde”, referiu o responsável. Pedro Amaral Jorge aproveitou para deixar o alerta que, no caso concreto de Portugal,” importar petróleo em vez de produzir eletricidade de fonte renovável usando os recursos endógenos ambulantes e complementares disponíveis seria uma péssima decisão para o país e para os cidadãos”.

Já a Galp afirma que “dado os reduzidos custos variáveis que caracterizam a produção de eletricidade de origem renovável, e em particular o solar, não vemos esta descida circunstancial do preço do gás natural a tirar competitividade a este tipo de investimento”. “A descida do preço do petróleo, mas mais importante ainda a descida do preço do gás natural, é neste momento, a par com uma redução da procura, um dos principais fatores a pressionar os preços de eletricidade que temos observado na Península Ibérica”, acrescentou a petrolífera.

Esta redução do preço grossista da energia, pressionada pelas quedas dos preços dos combustíveis, em particular do gás natural, bem como das licenças de CO2, levou o regulador setorial (ERSE) a decretar uma descida de 3% da fatura da eletricidade no mercado regulado. Mas que não foi totalmente transposta por todas as empresas para o mercado livre.

Como explicou fonte oficial da EDP, a fatura de eletricidade é composta por várias componentes, sendo que o preço da energia “representa menos de 40% da fatura para os consumidores residenciais”. A elétrica sublinha ainda que “este preço é ditado no mercado em concorrência” e, estruturalmente, “as renováveis já têm contribuído para a queda do preço, sendo esta uma tendência inquestionável e cujo impacto será cada vez mais pronunciado à medida que a penetração de renováveis aumenta no sistema”. Por estas razões, recusa que haja algum desinvestimento na descarbonização da economia.

Uma posição partilhada por Pedro Norton, presidente da Finerge, que aproveita ainda para sublinhar que “o colapso dos preços do petróleo veio reforçar, mais uma vez, as enormes vulnerabilidades do mercado de ‘oil & gas’”. “Para além dos impactos ambientais e sociais da sua desmedida pegada de carbono – que têm sido alvo de muito escrutínio por parte de investidores, financiadores e credores – acrescentamos à equação a elevada volatilidade dos preços do petróleo, agora fortemente marcada por uma queda histórica que veio debilitar, de forma bastante expressiva, a rentabilidade dos ativos tradicionais dos investidores deste setor”, concluiu. 

-37

Petróleo
Pela primeira vez na história, a 20 de abril os preços do petróleo atingiram os 37 dólares negativos em Nova Iorque.
-3%

preços da luz
Em abril, a ERSE avançou com uma redução extraordinária da tarifa de energia para o mercado regulado.
-3,3%

Gás natural
Em março, o regulador do setor de energia também tinha proposto uma redução em 3,3% nas tarifas de gás natural.