O desafio do cidadão sustentável

O desafio do cidadão sustentável

"Se reuníssemos uma comunidade numa sala e pedíssemos para inventar uma resposta comunitária à xenofobia, à misoginia, ao colapso climático, às desigualdades sociais, à erosão democrática e ao autoritarismo populista, é bem possível que a resposta fosse próxima do que se conhece como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 20-30", referiu Inês dos Santos Costa, secretária de Estado do Ambiente, durante a entrega das distinções do Prémio Nacional de Sustentabilidade. Esta iniciativa promovida pelo Jornal de Negócios tem a Deloitte como knowledge partner, e conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República e o apoio do Ministério do Ambiente e da Transição Energética.

Inês dos Santos Costa defendeu um sobressalto da cidadania responsável, dizendo que “fixamos as responsabilidades nos externos, no Governo e no consumidor mas é difícil assumir, em ciclos de governação curtos e com pressões de curto prazo, compromissos de longo prazo como o investimento na sustentabilidade. Por outro lado, o consumidor não está na sala de decisão quando uma empresa decide produzir uma embalagem feita de três materiais diferentes ou descontinuar peças de reparação ou deixam de ser atualizados softwares de equipamentos”, sublinhou Inês dos Santos Costa.

A secretária de Estado do Ambiente pegou nas palavras de Diana Ramos, diretora do Jornal de Negócios, para acentuar que “a sustentabilidade é o grande desafio do nosso tempo e já partimos atrasados, vencê-lo não pode depender apenas de políticas públicas, muitas vezes incertas, todos nós temos um papel a desempenhar”.

Urgente e transversal

O desafio da cidadania sustentável passa por saber que “há sempre um momento no sistema em que podemos ter a visão de sustentabilidade”. Na opinião de Inês dos Santos Costa, “a ação individual e local tem o poder transformador da familiaridade social, mas mudar o modelo económico exige políticas ousadas, gestores modernos, transformação industrial, que é difícil mas necessário. O que é verdadeiramente importante compreender é que estas responsabilidades não são transferíveis”.

“A necessidade de adoção de procedimentos mais sustentáveis é hoje urgente, incontornável e transversal”, afirmou Afonso Arnaldo, partner da Deloitte. E a única solução para ter no futuro um mundo, como o de hoje, para as próximas gerações, é preciso mudar de vida e ter como paradigma a sustentabilidade, como indicam todas as evidências científicas.

Além disso, “é transversal porque não cabe apenas aos Estados ou aos governos, às empresas ou às instituições, a cada indivíduo tomar uma ação, cabe a todos e em conjunto, tomar essa ação de modo a conseguir fazer algo no âmbito da sustentabilidade. Qualquer tema económico e social tem hoje de ser tratado considerando esta vertente da sustentabilidade, não existem soluções que possam ser tomadas sem ter em conta este mesmo tema”.

Diana Ramos recordou que há 34 anos foi publicado o relatório Brundtland, intitulado “Our Common Future”, que colocou na agenda a sustentabilidade e, ao longo do tempo, vários passos foram dados para se tornar incontornável na vida das empresas, das sociedades e dos Estados. “Muito se alterou mas é certo que o caminho a percorrer ainda é longo. É necessário um compromisso das empresas, das sociedades e dos Estados para que num esforço conjunto a sustentabilidade seja cada vez uma questão incontornável.”