Os novos relatórios da diversidade e a guerra pelo talento

Os novos relatórios da diversidade e a guerra pelo talento

"Se olharmos para o mercado de trabalho estamos a falar de um fim de linha, o problema está antes disso, na forma como se acede à educação, se desenvolvem as carreiras", referiu Filipe Almeida, presidente da Portugal Inovação Social, sobre as questões da diversidade como, por exemplo, o racismo.

Sublinhou que em Nova Iorque, 34 empresas, entre as quais a Amazon, a GM e a Goldman Sachs, vão passar a apresentar os seus relatórios de diversidade com informação relativamente ao género, à etnia, à raça, dados que nem sequer eram necessários. Esta ideia surgiu dos fundos de reforma dos funcionários, professores da cidade de Nova Iorque, na sequência dos protestos provocados pela morte de George Floyd, e deverão tornar-se um referencial para os investidores e para toda a comunidade.

A Michael Page ainda há pouco tempo divulgou um estudo com base nas Fortune 500 e percebeu que à medida que as empresas ganham em diversidade, as empresas mais diversas têm cerca de 19% de aumento de receitas à medida que a diversidade evolui.

Atração de talento

A mais antiga referência à responsabilidade social das empresas é o livro “Social Responsabilities of the Businessman”, de Howard Bowen, em 1953, “mas foi necessário a discussão das questões climáticas nos anos 1970 para depois atrás da questão ambiental trazer-se a questão social. Mas é sempre um processo de legitimação empresarial, e como a pressão é cada vez maior as empresas acabam por responder”, salientou Filipe de Almeida.

Adiantou que “as empresas têm um papel muito importante não só na forma como gerem os seus recursos humanos e a sua força de trabalho, mas também na forma como promovem isso junto das comunidades dos seus clientes”.

A forma como a empresa trata a diversidade é um critério de atração de talento, acredita Margarida Couto. ” Isto vai ser uma alavanca forte de mudança seja a geração millennial seja a que se segue, porque não estão disponíveis para trabalhar para as empresas em que o foco é a criação de valor acionista. Querem trabalhar em empresas que tenham causas, propósito, impacto positivo na comunidade porque também é isso que lhe dá o propósito de trabalharem e crescerem profissionalmente”, afirmou Margarida Couto.

As empresas querem capturar o talento, que é um bem escasso, mas para o conseguirem têm de se transformar e para ser mais competitivas nesta disputa, “têm de incorporar estes temas na sua estratégia e não o podem colocar num departamento qualquer de responsabilidade social ou de cidadania. Se não o fizerem não vão conseguir atrair talento e perdem o talento para os seus concorrentes”, conclui Margarida Couto.

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