Susana Correia de Campos: “O trabalho é o fator que permite uma maior inclusão social”

Susana Correia de Campos: “O trabalho é o fator que permite uma maior inclusão social”

"Estamos a fazer um caminho e os números tranquilizam-nos a respeito da paridade de género e 67% dos cargos de gestão já são ocupados por mulheres, que estão em muitas direções executivas e, portanto, no pipeline da liderança", considerou Susana Correia de Campos, head of Corporate Employer Relations and Internal Social Responsibility, Grupo Jerónimo Martins, que é formado "por um exército de mulheres pois representa 70% da força de trabalho".

Explicou ainda que incluem “a igualdade de género no conceito de diversidade, porque acima de tudo o que queremos, como organização que emprega 110 mil colaboradores, é que ninguém independentemente das suas características não possa desenvolver o seu talento. Procuramos combater o desperdício de talento, não apenas das mulheres mas de todas as pessoas.”

O Grupo Jerónimo Martins tem um plano de igualdade adotado que contém uma série de medidas como os programas de apoio na área da saúde e da educação e para garantir melhores condições de vida aos colaboradores e às famílias.

Os projetos abarcam a igualdade de género mas também projetos e programas de apoio a grupos específicos, como as pessoas mais vulneráveis no acesso ao mercado de trabalho. Há vários anos que, “por exemplo, temos um programa de inclusão em que integramos pessoas em desvantagem ao acesso ao mercado de trabalho. Começamos com os migrantes e os refugiados, hoje integramos pessoas em condição social de risco, como as vítimas de toxicodependência, que estão recuperadas e querem voltar a trabalhar, e aos portadores de deficiência ou incapacidades”, sublinhou Susana Correia de Campos.

Princípios transversais

Susana Correia de Campos considerou que “a igualdade é um princípio que é transversal e estrutural, mas acima de tudo queremos atrair e desenvolver o talento diverso, conscientes de que essa diversidade nos traz valor. Não só cria valor para as comunidades onde estamos inseridos como também nos cria valor interno como mais inovação, integração e isso é que é a verdadeira inclusão social”.

“Procuramos assim ser uma empresa inclusiva com práticas que permitam que as pessoas independentemente das suas características, das suas condições sociais, familiares, de inserção na sociedade, possam desenvolver o seu talento”, e acrescentou, que “mais do que um salto cultural, isto é um verdadeiro salto civilizacional de que todas as pessoas se realizem, e que todas as pessoas tenham a oportunidade de desenvolver o seu talento”.

A responsável do Grupo Jerónimo Martins salientou que, para além da questão da liderança feminina, que é um tema dentro da diversidade, “há a questão das mulheres e das pessoas que ainda vivem em condições muito difíceis no nosso país e que, na situação de crise em que estamos, está muito agravado”. Destacou a questão das famílias monoparentais femininas, fenómeno que tem muita importância no Jerónimo Martins, que têm de ser ajudadas e apoiadas em várias dimensões da saúde, da educação, e da qualidade de vida.

“Isto não é apenas uma questão de liderança porque temos muitas mulheres capazes que não conseguem estudar mais, que não podem trabalhar, trazer a sua melhor versão para o emprego. O trabalho é o fator que permite uma maior inclusão social, não há outro que possam exercer uma cidadania plena em direitos e deveres. O direito ao trabalho é fundamental porque tem, entre outras coisas, um forte potencial de inclusão social”, concluiu Susana Correia de Campos .

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